sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Breves considerações sobre as artes.

Criei esse tópico para colocar algumas impressões que tenho a respeito da situação atual da produção artística e visual na tentativa de facilitar o entendimento do meu processo.

Em primeiro lugar acredito que a verdadeira arte deve estar inserida num contexto para que faça sentido e principalmente que seja honesta em seu desenvolvimento. Com as modificações todas que vem acontecendo nesse meio fica difícil estabelecer o que é ou o que não é arte tendo em vista a grande variedade de suportes, técnicas, estilos, intenções, meios de exposição, etc. Em uma sociedade que apresenta tanta diversidade pode-se encontrar terreno fértil para a construção de uma arte rica, porém se adotamos um padrão (mesmo que esse padrão não seja óbvio) para legitimar algo como arte, estamos desperdiçando a oportunidade de construir uma produção coerente com o contexto em que vivemos. Chegamos a um ponto em que uma reflexão mais profunda sobre as muitas coisas que já temos é extremamente necessária, ou seja, não precisamos ficar inventando moda o tempo todo, chocando o tempo todo pelo simples prazer de estar em evidência. A arte deve ter seu cordão preso a alma do artista, deve ser reflexo direto das inquietações do mesmo e não ser um espetáculo vazio que chama de idiota aquele que assume não ver sentido. A arte é uma manifestação que acontece através de linguagens e uma linguagem deve ser compreendida por outros indivíduos além daquele que a cria, pois se isso não acontece a comunicação seja ela de que modo for não acontece e a produção fica restrita ao artista que a concebeu. Muitas pessoas por não se interessarem pelas manifestações plásticas/visuais todas e ,portanto, não entenderem tais manifestações como linguagens que precisam ser aprendidas e entendidas para então percebê-las com um olhar crítico, acabam "engolindo" tudo o que lhes é apresentado (seja na comunicação ou nas artes). Disse Donis A. Dondis em seu Sintaxes da Linguagem Visual "Na verdade, o alfabetismo visual impede que se instaure a síndrome das 'Roupas do Imperador', e eleva nossa capacidade de avaliar acima da aceitação (ou recusa) meramente intuitiva de uma manifestação visual qualquer". Essa analogia à história na qual o imperador é enganado por alfaiates estelionatários que fingem costurar uma roupa que só pode ser vista por pessoas inteligentes, logo poucos são os que têm coragem de assumir que não há roupa nenhuma passando então por imbecil, cai muito bem para o cenário artístico que temos atualmente. Muitas coisas são produzidas, expostas e aplaudidas, mas muitas dessas coisas não tocam de fato o público que aclama essa produção. Por outro lado existe o público que não se interessa em conhecer as linguagens que os artistas usam para dar forma à sua arte e repudiam sem saber o porquê.
Pensando também na passividade com a qual as pessoas se colocam diante de todo e qualquer tipo de acontecimento na sociedade, não apenas a arte ruim lhes é socada goela abaixo mas também todo tipo de produção visual que circula sem ser notada e muito menos questionada. Vivemos num ciclo que consiste em receber informação e não refletir sobre, aceitar o que essa informação propõe, comprar produtos, idéias, padrões, receber mais informação que não é processada, comprar... Sair fora de ciclo consiste, de certa forma como acontece no mundo das artes, em ser diferente, em ser apontado como o idiota, a feia, o brega, o herege, etc. Porque aquele que não aceita ser como lhe é proposto que seja acaba sofrendo as consequências de um sistema já consolidado, ou seja, deixa de ser parte da sociedade onipotente, logo é minoria e perde sua força.
Pretendo desenvolver um trabalho que ao passo que faz refletir aqueles que estão no ciclo vicioso, foge da idéia de ser difícil de entender. Ainda que não pretenda com um trabalho artístico mudar a realidade da sociedade, quero propor uma reflexão a uns poucos que ao menos olham de verdade para aquilo que seus olhos vêem.

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